22.4.15

Fanfic: Escrevendo um final feliz

A história a seguir é uma fanfiction (ficção criada por fãs), escrita pela nossa tradutora Clarissa Magalhães, originalmente publicada no portal Nyah! - se você também escreve fanfics e gostaria que publicássemos aqui, contate-nos pelo oprofetadiariocontato@gmail.com. 

Aviso: classificação +13.

Boa leitura!

Escrevendo um final feliz

Inúmeras caixas e caixotes lotavam a casa da família Weasley.

Hermione observava os homens tirarem todas, uma a uma, debaixo de seus olhos. A bruxa tinha o rosto entre as mãos, num choro silencioso, porém profundo.

Sempre fora uma mulher forte. Ninguém nunca se atreveu a questionar isto; mas naquele momento, naquelas circunstâncias... Bem, tudo que ela podia fazer era apenas chorar enquanto partes de uma história eram lentamente arrancadas de seu peito.

– Senhora Weasley, por gentileza...

Hermione levantou o rosto de súbito, balançando a cabeça afirmativamente. Em menos de um minuto, Hermione não mais Weasley saíra de cima de uma caixa maior.

– Era a última? – sua voz estava quase sibilante.

– Sim, senhora.

O funcionário do carreto guardou tudo que restara de Ronald Weasley e bateu a porta do carro. Sumiu para o infinito, deixando a bruxa mais valente da Inglaterra desamparada. Sim, até mesmo ela tem seus momentos de fracasso. E o maior deles fora se casar com seu melhor amigo de infância.

– Mamãe!

Hermione se virou e viu uma Rose chorosa vir a seu encontro. A pequena bruxa abraçou-a bem forte, sentindo as próprias dores da mãe.

– Vai ficar tudo bem. Eu prometo.

– E quem vai ficar com o Hugo?

– Nós vamos buscá-lo amanhã em Hogwarts, querida, não se preocupe, está bem? A mamãe vai resolver isso.

– Tem certeza? – falou, enquanto Hermione acariciava sua franjinha.

Os olhos de Rose encontraram os da mãe, a qual respirou fundo antes de dizer:

– Sim. Não se preocupe, querida.

E então, com um esboço de sorriso, beijou a testa da filha.

– Pode ir. Sério. Vá, filha, vá. O seu pai está esperando.

Rose limpou o rosto rapidamente e deu um último abraço em Hermione antes de correr para o outro lado da rua, onde seu pai a esperava. Ronald, por sua vez, tinha um olhar cortante. Talvez até ressentido, quem sabe. O fato é que ele ainda guardava mágoas das últimas brigas em sua antiga casa. Pelo menos ainda tinha Rose.

– Vamos, Rosie – ele disse, abraçando-a pelos ombros.

A menina deu uma última olhada em sua mãe e agarrou as mãos de Rony para que eles fizessem uma aparatação guardiada, ou seja, com um adulto conduzindo.

Hermione observou-os até o último segundo. Por mais que não quisesse admitir, guardaria todos os detalhes de Ronald. À medida que caminhava de volta a sua casa, chorava todas as vezes que se lembrava dele. Não tinha como esquecer...

Suas mãos passaram pela mesinha de centro, onde costumava ficar seus retratos. Seus pés subiram as escadas onde diversas vezes correram atrás de suas crianças pestinhas. Hermione seria capaz de jurar que ainda podia vê-los se movimentando ao seu redor, como uma lembrança distante... Quase como um delírio. E talvez estivesse mesmo louca, quem sabe? Se o queria para fora, por que não parava de chorar, afinal?

Hermione chegou ao seu quarto e jogou-se na cama. Sentiu o cheiro de Ronald pela última vez e mergulhou num sono inquieto. Sons misturavam-se no seu subconsciente; risos, choros, gritos. Memórias foram arrancadas de seu peito e atormentaram-na durante o sono. Mas apesar de sentir-se cansada de espírito ao acordar, assumira o compromisso com seu filho, o Hugo. Iria sim buscá-lo em King’s Cross.

Cinco horas e vinte minutos!

Os dedos de Hermione bateram no rádio-relógio e então ela se levantou. Relutantemente, com toda certeza. Mas ainda assim conseguira abstrair tudo que sofrera no dia anterior, concentrando-se apenas em Hugo. Afinal de contas, seu pequeno bruxo não tinha absolutamente nada a ver com seu estado emocional; na realidade, ele nem ao menos teve conhecimento de todo o problema.

– Mamãe!

– Huguinho!

Um garotinho magricela veio correndo em direção a Hermione. Ele deixara o trem com dificuldade, visto que estava atolado de malas e outros artigos pessoais. Seu sorriso era sincero, e seu cabelo despenteado.

– Ai, deixa a mamãe te ajudar, espera. É... Onde fica mesmo os carrinhos? Ah, espere aí.

– Tudo bem – ele riu ao ver sua mãe toda atrapalhada. Era de família, afinal – Vou por as coisas ali por enquanto, viu?

– Okay! – a bruxa gritou-o de volta.

Hugo jogara toda a sua bagagem em cima de um banco de madeira e resolvera esperar. Enquanto balançava as pernas, agitado, Lílian Luna soltara um beijo para ele de longe. Hugo fingiu que pegara o tal do beijo e o guardara no bolso. Lily apenas rira e dera adeus para ele com uma piscadela.

– Perdi alguma coisa aqui? – Hermione chegara meio de repente, assustando Hugo.

– Não! – ele apressou-se em responder – Er... Vamos embora.

A bruxa achara graça no modo como Hugo ficava quando se falava em Lily Luna. Observou-o por suas coisas no carrinho, tudo de uma vez, provavelmente querendo ganhar tempo. Ah, se ele soubesse mais sobre o tempo. Certamente daria um valor especial para cada segundo.

– Filho... Pra quê tanta pressa, querido?

– Pressa? Quem tá com pressa? Ah, ali não é nosso carro?

– Hugo... – Hermione esboçou um sorriso ao fechar a porta de seu Cadillac 50 – Você sabe que pode me contar tudo, não sabe?

O menino balançou a cabeça, sem sequer tirar os olhos do chão. O vento estava forte, e seus cachos só ficaram ainda mais desgrenhados. Hugo não parava de arrumá-los, talvez numa tentativa de adiar essa conversa; ele era o típico adolescente reservado, e entrar nesses assuntos deixava-o realmente desconfortável.

– Meu filho – Hermione tentou mais uma vez – Nós dois temos confissões a fazer. Por que não acabar logo com isso?

– Então você..?

– A sua velha mãe entende mais de relacionamentos do que você imagina – ela sorriu para ele, transmitindo segurança – Assuma logo esse namoro. Eu apoio vocês.

Hugo olhou assustado para ela. E então, como se um peso houvesse caído de suas costas, o garoto permitiu-se rir.

– Você é a melhor mãe do mundo! Espera só quando eu contar pro papai!

Hermione puxou a marcha e estacionou o carro. Deu um longo suspiro antes de contar-lhe a verdade. Ela estava com medo da reação que seu filho teria, obviamente. Hugo e Ronald eram grudados desde sempre.

– Hugo – ela olhou-o profundamente – Seu pai e eu nos divorciamos. Ele não vai voltar mais.

– Espera... O quê?!

As mãos do pequeno bruxo congelaram na trave da porta. Seu coração batia descompassadamente, como se estivesse diante do pior dos bichos-papões. Hugo passava os olhos de um lado para o outro, numa tentativa inútil de procurar a explicação para tudo aquilo.

– Cadê a Rosie? – foi tudo que conseguira dizer. Ao ver sua mãe balbuciar qualquer coisa, Hugo abrira a porta do carro com violência e saíra correndo para dentro de casa – ROSIE! ROSE!

– Filho...

– Mamãe. Onde é que tá a Rose? – ele parou no meio da sala, cruzando os braços – Ela nem ao menos foi me buscar?

– Eu sinto muito, Hugo, mas...

– Você também mandou ela embora? Hein?

– Hugo Bilius Weasley, você me respeite. Tá me ouvindo?

Hermione deu um berro que chegou a congelar a espinha do jovem bruxo. Ele chegou a dar um pulo para trás, num reflexo de defesa. Embora estivesse aborrecido ao extremo, temia demais a sua mãe quando esta se irritava.

– Repita isso! – Hermione gritara mais uma vez, com o dedo em riste – Repita!

Hugo baixou os olhos e não se atreveu a dizer coisa alguma. Viu o braço de sua mãe se abaixar lentamente, e seus lábios tremerem; não sabia ao certo o que pensar em tal situação, nunca vira Hermione tão alterada... Quando pensou que veria um indício de lágrimas no rosto dela, Hugo largou a mochila das costas e correu para abraça-la.

– Foi mal, mamãe – ele apertou-a ainda mais – Deve estar sendo horrível pra você.

– Você não entende direito, Huguinho. Você é só um menino.

– E o papai também.

Mãe e filho riram abraçados, achando graça naquela constatação. Hermione acariciou os cachos ruivos do filho, passando segurança. Não queria que tudo tivesse acontecido daquele jeito. Mas Ronald precisava sair. Ambos sabiam disso. O ciclo de brigas infinitas não perduraria para sempre, uma hora teria de terminar.

E foi pensando em tudo isso que Hugo resolvera escrever para sua irmã, Rose, na calada da noite. Odiava ver sua mãe naquele estado, e poderia apostar que Rose sentia o mesmo em relação a Ronald.

Lá pelas 4am, uma coruja-das-torres bateu na janela do sótão, onde ficava o quarto de Hugo. Ele destravou-a e deixou que o animal voasse pelo cômodo, animadamente. Passou os olhos na carta o mais rápido que conseguira, terminando por jogar-se em sua cama.

Querida Rosie,

Então me espere amanhã às 7pm embaixo do Salgueiro, combinado? Por favor, não se esqueça de nada. Nós temos que conseguir, Rosie, eu não quero morar longe de você. E o papai? Continua bravo?

Com amor,

Hugo

O garoto deixou que a coruja levasse, mais uma vez, sua correspondência e embarcou num sono profundo.

No andar de baixo, Hermione passava a noite em claro, em mais uma de suas leituras de cabeceira. Seus dedos viravam folha por folha, enquanto seu sono chegava através dos bocejos. Quando a madrugada já estava em seu ápice, Hermione mais uma vez Granger puxou a cordinha da luminária e resolveu dormir.

Aconchegou-se em seu travesseiro e começou a se perguntar o que fizera de errado todos esses anos. Para ela, tivera sido uma boa mãe e uma boa esposa, afinal. Que é que Ronald tinha a se queixar? Será que deveria ter sido mais flexível às suas saídas à noite? Ou ao Quadribol? Será que deveria ter acreditado nele, todas as vezes que pensara que houvesse sido traída?

Bem, tudo isso não importaria mais quando o plano de Hugo e Rose funcionasse.

Os adolescentes abraçaram-se assim que viram um ao outro. Rose tinha uma cesta de piquenique numa das mãos, e uma sacola na outra.

– Senti sua falta, Hugonoura.

– Eu também, irmãzona – ele falou, tirando a varinha das vestes – Por que não me visitou lá?

– Ah, você sabe. Arrumei um emprego.

Hugo se virou e esboçou um sorriso.

– Nossa, meus parabéns!

– Valeu!

Enquanto armavam a toalha sobre a mesinha do jardim e arrumavam as coisas, os dois atualizavam um ao outro sobre a vida deles. Rose havia saído de Hogwarts há um ano, e Hugo ainda cursava o sexto.

E nesse vai e vem de conversa, acabaram deixando tudo nos trinques. Colocaram um par de velas na mesa, pratos, taças e hidromel. Cada um ficara encarregado de fazê-los por uma roupa melhorzinha; a comida ficaria a cargo de Scorpius Malfoy. Sim, há algum tempo ele veio se revelando um chef e tanto!

– Pronto, agora é só esperar – o Malfoy disse.

– Cruze os dedos, doninha. Porque temos que conseguir.

– Cala a boca, cabeça de cenoura.

Os meninos ficaram à espreita, atrás de uns arbustos. Ouviram as vozes de Ronald e Rose, enfim.

Hugo chegou a suar quando viu sua mãe aparecer do lado oposto, completamente deslumbrante. Pelo visto, haviam dito-a que iria a uma festa, porque, logo atrás, Lily Luna exibia um lindo vestido, e muita maquiagem.

– Seca a baba, Hugonoura.

– Vai à merda! – ele riu em resposta.

Mas o momento de tensão ocorrera quando o antigo casal se encarou, evidentemente surpresos. Ronald cruzou os braços e olhou para Rose, esperando uma explicação.

– Er... Bem...

– Rose – ele foi firme – Que está havendo aqui? Pensei que só viríamos buscar o Hugo.

– E Lily me disse que Harry ia nos levar para passear!

– Escutem. Por favor – Rose apressou-se em dizer – Vocês precisam conversar. Depois de tanto trabalho... Vão mesmo jogar a comida toda no lixo?

Ronald sentiu-se um pouco desconfortável. Não costumava contrariar sua pequenina garota; ela tinha os olhos aflitos, e Ronald via tristeza neles.

– Tudo bem, filha. Por você – ele deixou bem claro, encarando Hermione sem desviar o olhar um segundo sequer – É por consideração a você, e nada a mais.

E então, o bruxo puxou a cadeira e sentou-se nela, apoiando os cotovelos na mesa. Olhou para Hermione, questionando-a, em silêncio, o que a mesma ainda fazia ali em pé. Esta, por sua vez, sentou-se também, com um ar de cansaço.

– Ótimo! – exclamou Rose, toda sorrisos – Já já traremos o jantar. Anda, Lils, vem!

Rose Weasley agarrou a mão da prima e puxou-a para dentro de casa. Os garotos foram atrás delas, prontos para desempenhar suas devidas funções.

E enquanto isso, o não mais casal Weasley se encarava num silêncio constrangedor. De repente, Hermione começa a rir.

– O que foi? – Ronald perguntou.

– Não é engraçado? Quero dizer... Tudo isso acontecendo, sabe. Nossos filhos... Bem, devo admitir que eles são criativos.

A declaração pareceu desarmar Ronald. O bruxo descruzou os braços e permitiu-se rir também.

– Tem razão – respondeu, brincando com os talheres da mesa – Bem que achei estranho. Rose não costuma ir a festas.

– Nem você!

– Touchè.

Os dois continuaram rindo.

As luzes das velas tremeluziam, fazendo sombras nos rostos de cada um. A noite estava fria, mas, por sorte, todos haviam posto roupas mais quentinhas.

– E então, como o Hugo recebeu a notícia? – Ronald suspirou, coçando atrás da cabeça, nervosamente.

– Ele ficou transtornado! Eu nunca o vi assim, Ronald. Hugo sempre foi muito educado...

– E foi a primeira vez que deixei de buscá-lo em King’s Cross. Não devia ter feito isso.

– É...

Hermione bateu as pontas de seus dedos, um tanto desconfortável com aquela conversa. De repente, um som de piano se instalou no jardim.

Lily Luna tocava lindamente o piano, o qual fora trazido com um feitiço de levitação. Logo atrás dela, Scorpius apareceu com a varinha em punho, e, flutuando no ar, um prato de galinha assada e batatas.

– Posso servi-los?

– MALFOY?!

Ronald riu quando viu o genro servi-lo o jantar. Nunca esperaria que um dia aquilo fosse acontecer. Poderia apostar que Scorpius só queria impressioná-lo.

– Nossa, Scorpius, está uma delícia!

– Valeu, senhora Weasley – o garoto deu uma piscadela para Rose, a qual prendera um risinho – Agora, precisarei me retirar. Com licença.

Hermione e Ronald comeram com gosto, e nem se deram conta que a conversa voltou a fluir como antes. Permitiram-se ter uma noite agradável, com uma música de fundo, uma boa refeição e deliciosas gargalhadas.

Do fundo, Rose e Hugo caminharam solenemente, com roupas muito maiores do que eles. Seus pais franziram a testa, evidentemente confusos.

– Oh, Mione, que vamos fazer? – gritou Hugo, teatralmente.

– Temos de correr. O dragão está atrás de nós. Está tudo desabando!

Hugo e Rose correram sem sair do lugar, exibindo expressões exageradas de surpresa e medo. Os bruxos não paravam de rir.

– Ai meu Merlin, é a câmera secreta!

– Cadê o Harry?

– Que porra de Harry! Você tem a mim. Me beija!

Nessa hora, Ronald levantou-se, aos risos:

– Eu não disse isso. Que fique bem claro.

– Ah, tanto faz – Hugo riu também, dando de ombros – Eu não ia beijar a minha irmã de todo jeito... – e então completou, baixinho: - Se outra pessoa encenasse...

Lily enrubesceu quando ele olhou-a de esguelha, e voltou a tocar. Torceu para que ninguém a notasse.

– Acabou? – Hermione perguntou, sorrindo.

– Óbvio que não! Você ainda tem que beijar o papai.

– ROSE!

– Que foi? – falou, fingindo-se de desentendida.

Hermione colocou as mãos no quadril, realmente irritada.

– Acho que chega por hoje...

– NÃO!

Todos pararam o que estavam fazendo para olhar Ronald. Ele gritou meio de repente, escaneando cada um dos bruxos com os olhos; por fim, respirou fundo e continuou:

– Acho que eles têm razão – disse num tom ofegante, aproximando-se ainda mais perto – Fomos idiotas.

Hermione sorriu quando Ronald segurou suas mãos.

– Eu nunca lhe traí, Mione. E foi isso que me irritou. A desconfiança.

Os jovens entreolharam-se, animados, cruzando os dedos para que tudo desse certo. O coração de Lily Luna pulsava mais forte a cada palavra proferida por aquele casal. Eles eram realmente lindos juntos.

– Me desculpe – Hermione baixou os olhos, envergonhada – Mas você tem que entender... As evidências...

– Esqueça as evidências. Nem tudo é um experimento científico, Mione. – Ronald apertou as mãos dela mais fortemente – Inclusive, as minhas idas à casa de Luna foram todas por sua causa!

– Minha?!

Hugo e Scorpius reprimiram uma risadinha. Scorpius sussurrou para o amigo:

– Acho que vai ter barraco.

– Por favor, doninha, nem brinca com isso...

E então voltaram a escutar a conversa.

– Luna estava me ajudando a escrever seu presente de nosso aniversario de casamento. Mas aí descasamos, né.

– Espera um pouco... Você..?

Ronald apenas acenou com a cabeça e respirou fundo. Pôs a mão no bolso das vestes, tateando qualquer coisa. Por fim, terminou encontrando o que procurava.

– Estava me decidindo se lhe entregaria ou não – deu de ombros. Estendeu-lhe uma pilha de pergaminhos grampeados, os quais ela tratou de pegar – Era para ser surpresa, mas...

– Rony... – Hermione deixou escapar um sorrisinho, completamente emocionada – Isso... Isso é... Nossa, nem sei o que dizer. Só... Sinto muito, me desculpa, por favor.

Ronald pareceu analisar suas possibilidades. Sem pensar muito, ele resolvera roubar um beijo de sua ex-esposa. A meninas soltaram gritinhos histéricos, e os meninos reviraram os olhos. Mas, por dentro, Hugo estava mais do que satisfeito.

Bem, conseguira o que tanto queria, afinal. Além disso, Lílian estava perigosamente próxima a ele, numa distância em que ele poderia abraçá-la, se quisesse. Seus pensamentos voaram naquele momento, imaginando-se no futuro, no lugar de seu pai.

Será que a deixaria ir-se embora, se um dia chegassem a morar juntos?

– Estou desculpada?

– Pensei que fosse a irritante sabe-tudo, Mione, ainda não percebeu que sim?

A bruxa riu, docemente. E então olhou para seus filhos, um tanto nostálgica.

– Pessoal... Por que não aproveitam este momento para oficializarem seus namoros? A mamãe não é burra! Por que não acabam logo com isso e assumem de uma vez?

Scorpius engasgou com a própria saliva, e Rose teve que ajudá-lo, dando tapinhas nas suas costas. Hugo e Lily ficaram mais vermelhos que um pimentão.

– Espera – Ronald parecia um pouco confuso – Você está namorando, Hugo? Desde quando?

– Er... – ele arregalou os olhos – Ainda não estou.

Ronald sacou imediatamente. Deu uma risadinha e pôs a mão no ombro do filho.

– Não espere tanto tempo. Porque quando você ficar velho, com certeza vai se arrepender de ter desperdiçado tantas folhas em branco.

– Isso se aplica a você? – Hermione rira, achando graça.

– Você vai saber quando ler, né? Dã!

Bem, em todo caso, a história da família Weasley fora muito bem preenchida. Algumas páginas foram acrescentadas, narrando as aventuras de Hugo e Lily, e Rose e Scorpius.

Ronald voltou a morar com Hermione, e nunca mais sequer pensaram em divórcio. Houveram brigas, sem dúvidas. Mas todo e qualquer relacionamento é regado a momentos de brigas, mas também de carinhos. E com eles não seria diferente.

Na última página do livro que chegaram a publicar, Hermione diz:

E o amor é assim. Uma hora cresce e brota. Depois murcha. E como uma fênix, renasce quando a gente menos espera.

Ver o brilho nos olhos dos meus filhos quando se falam de Lily e Scorpius é a melhor coisa que eu poderia desejar. Vejo um pouco de mim em Rose, e um pouco de Rony em Hugo.

Quando resolvo observá-los de longe, algo em mim desperta. É como se o relacionamento que eles têm com seus parceiros eternizasse o que existe entre mim e Rony.

E desta vez eu tenho certeza...

Se um dia aparecerem caixas de mudança em minha casa, certamente serão nossos caixões ou simplesmente estaremos mudando de endereço.


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