2.5.15

Contos de fãs: Collide

A história a seguir é uma fanfiction (ficção criada por fãs), escrita pela potterhead Daniela Ribeiro Cunha, originalmente publicada no portal Nyah! - se você também escreve fanfics e gostaria que publicássemos aqui, contate-nos pelo oprofetadiariocontato@gmail.com. 

Aviso: classificação livre.

Boa leitura!

Collide - You and I... Collide


“Even the best fall down sometimes, even the stars refuse to shine, out of the back you fall in time. I somehow find, you and I colide.”

Era uma linda tarde de um quase verão. 1977. Fim do sexto ano. Eu, Lily Evans, já estava completamente despreocupada, afinal as provas já tinham passado e eu certamente tirei a nota máxima em quase todas elas. E se eu não tirei eu vou me atirar da Torre da Astronomia, pois eu estou estudando desde o começo do ano letivo.

Marlene e Dorcas, minhas melhores amigas, estavam conversando sobre essas mesmas provas enquanto eu apenas deitava na grama e observava aquele lindo céu azul. O assunto delas agora era sobre não terem visto James, Sirius, Remus e Peter até agora. Não cheguei a entrar nesse assunto, mas eu também estava bem preocupada. Todos os finais de provas o Potter vinha para o jardim com seus fiéis seguidores para se gabarem das suas notas em Transfiguração e quão boas elas devem ter sido.

Não se engane, esse ano eu e o Potter até que ficamos mais amigos. Ele até que era legal, afinal. Mas eu ainda não me acostumei a chama-lo de James, era estranho demais depois de todos aqueles anos o chamando de Potter. Eu não era exatamente uma melhor amiga, não, deixe esse trabalho para a Marley. Mas nós nos divertimos quando estamos juntos.

Voltando ao assunto principal, eles não apareceram até agora e pelo jeito não era só nós três que estávamos preocupadas. Parece que toda a casa da Grifinória e algumas pessoas das outras casas também estavam estranhando aquilo tudo.

Finalmente, um deles deu as caras. Remus. Pude ver daqui os olhos de Dorcas brilharem, a loira tinha uma queda de precipício por ele. Mas hoje o coitado estava com uma expressão mais triste do que o normal.

– Moony! Cadê os outros? – Marlene já deixou escapar uma pergunta com sua enorme curiosidade. Remus suspirou e se sentou ao nosso lado, ainda cabisbaixo e não olhando para nós.

– Eles estão no dormitório com o James. – O tom da tristeza de Remus mais uma citação de James me fez despertar. Foi a minha vez de perguntar.

– Com James? Mas o que aconteceu? – A minha voz era como se eu tivesse tomado um choque. Eu estava preparada para uma má notícia.

– Os... Os pais dele morreram.

Nesse momento, nós três gritamos um “O que?!” em um uníssono. Remus apenas assentiu com a cabeça e suspirou, olhando pra cima.

Merlin, James deveria estar devastado. Ele me contou sobre seus pais um dia, sobre como eles faziam tudo para deixa-lo feliz e que eles já estavam bem velhos. A causa da morte deve ter sido causas naturais, mas era estranho já que os dois morreram no mesmo dia.

Sem nem falar mais nada, eu fui correndo até o Salão Comunal da Grifinória e subi para o dormitório dos garotos na mesma velocidade, e quando cheguei à frente da porta do dormitório eu estava ofegante. Nota: Praticar mais exercícios. Ainda bem que eu não engordava mesmo comendo um bando de porcarias. Eu bati na porta três vezes, esperando alguém abri-la.

– Olha, seja quem for, nós estamos... – Sirius começou a falar sem ao menos olhar para mim, mas assim que olhou, ele interrompeu e voltou a falar. – Ah, é você Evans. Pode entrar.

Antes mesmo de entrar, vi que James estava atrás de Sirius. Os cabelos mais bagunçados do que o normal, olhos inchados e com roupas quase que miseráveis. Ao vê-lo assim, eu automaticamente me joguei para abraçá-lo, um abraço que pelo jeito foi mais que aceito. Ele retribuiu com um abraço muito apertado e começou a chorar em meu ombro.

– Shh... Calma, Jay. Tudo vai ficar bem... – Eu comecei a falar, já com vontade de chorar com tamanha tristeza que Potter estava demonstrando. Eu comecei a acariciar seu cabelo até ele interromper.

– Não, nada vai ficar bem, Lily. Nada. O nosso mundo já está em caos por causa de Voldemort e aqueles Comensais. E agora... Meus pais. O que vou fazer?

Ele disse essas palavras quase que gritando, a algum ponto ele poderia explodir. Fiz um aceno com a cabeça para que Sirius e Peter nos deixassem sozinhos e eles obedeceram. James me olhou com uma cara de cachorro sem dono, e dessa vez não era um daqueles fingimentos dele para conseguir o que ele queria. Agora era real. Eu fui até ele e o fiz sentar em alguma das camas e sentei ao lado dele. Ele estava cabisbaixo, então eu toquei em seu queixo e o fiz olhar pra mim.

– Ei, olhe nos meus olhos. – Assim o fez. Ele suspirou e eu dei um sorriso mínimo. – Nada está perdido, está bem? Eu sei que isso machuca muito e vai demorar muito pra curar. Mas eu juro que vai. Todos nós perderemos nossos pais algum dia, mas aprendemos a nos virar. Você vai aprender a se virar, eu sei disso. Eu sei disso porque sei que você é um dos garotos mais inteligentes que eu já conheci e vai pensar em algo. Não agora, mas depois, quando a poeira baixar. E eu vou te ajudar, ok? Se quiser você pode até passar parte do verão comigo, você e o Sirius, porque eu sei que ele foi morar com vocês no verão passado.

– Obrigado, Lily. Eu... Eu não tenho palavras. – Ele disse, ainda com a voz trêmula. Eu segurei as duas mãos dele e voltei a falar.

– Não tem o que agradecer, James. Quer que eu te acompanhe no funeral? – Preguntei com meu tom mais suave de voz.

– Quero. – Ele respondeu, assentindo. – Vai ser amanhã a noite, às 10h da manhã.

– Ok, eu venho aqui e nós vamos juntos, ok? – Falei, e ele assentiu. – Se precisar de mim é só chamar. Mesmo que seja no meio da noite.

Por fim, eu beijei suas mãos que estavam entrelaçadas nas minhas, me levantei e fui embora. Ele iria precisar de muito apoio naquele momento difícil.

Se esse dia estava maravilhoso, o seguinte estava chuvoso e fechado. Não me admirava, afinal nós estamos na Inglaterra. Até o verão tem dias feios e chuvosos.

Eu estava no meu dormitório já colocando meu vestido e sapatos pretos para o funeral. Marlene e Dorcas mal tinham saído da cama, afinal era sábado. Elas também foram convidadas para o funeral, mas iriam mais tarde.

Desci as escadas do dormitório e vi quatro garotos de terno num canto do Salão. Sirius, Remus e Peter irão com a gente, afinal eles eram o quarteto fantástico de Hogwarts.

Eu fui até eles e abracei James como no dia anterior. Depositei um beijo em sua bochecha e assim que nos separamos, abri um pequeno sorriso pra ver se isso pelo menos o colocasse mais pra cima. Tomara que tenha funcionado.

Nós todos fomos até Hogsmeade e aparatamos. Era tão bom ser maior de idade e já poder fazer isso. O lugar ainda estava um pouco vazio, e as poucas pessoas ali cumprimentaram James assim que o viram. Ele apenas murmurava uns agradecimentos sem emoção alguma. Ele estava praticamente se fechando.

Mas assim que James viu os caixões dos pais, à medida que ele chegava mais perto, ele chorava ainda mais. Eu e Sirius íamos tentando segurar ele e leva-lo até alguma cadeira, mas ele queria ir até lá. Por fim, deixamos ele ir, mas fomos atrás. O garoto estava em prantos.

Era tão estranho. Era como se eu pudesse sentir sua dor. Eu percebi algumas lágrimas escorrendo em meu rosto assim que vi James naquele estado. Era triste demais vê-lo daquele jeito.

Alguns amigos dos pais de James falaram sobre suas jornadas com eles, e o último a falar foi James. Bom, nem preciso falar no que deu né? Muita choradeira e os garotos tendo que tirá-lo a força do palco. Eu mesma já deveria estar com a maquiagem borrada e olhos vermelhos.

Ele sentou ao meu lado e eu segurei sua mão, colocando minha cabeça em seu ombro. Ele apoiou sua cabeça na minha e nós ficamos uns cinco minutos assim. Devo admitir que isso foi muito bom.

Assim como ele ficou aos prantos no funeral, ele se fechou completamente no enterro. Fez de tudo pra não chorar, e não chorou mesmo. Mas eu sei que a vontade dele era de gritar. Como eu sei? Bem, eu não sei. Eu apenas sei. Isso foi confuso, vocês nem precisam me dizer.

Nós voltamos para Hogwarts. Dumbledore havia dito para James mais cedo que ele poderia tirar uns dias até se recuperar, mas ele quis voltar com a gente, o que era compreensível. Não queria ficar sozinho.

Ele me acompanhou até meu dormitório, afinal ele conhecia as regras: garotos não podiam entrar nos dormitórios das garotas. Mas ao contrário era permitido. Completamente ridículo, em minha opinião.

– Obrigado por hoje, Lily. E por ontem. Você foi... Quer dizer, você é maravilhosa. – Ele disse, e aquilo me fez sorrir. James era encantador mesmo num dos piores momentos de sua vida.

– Você não precisa agradecer. A propósito... – Eu fiquei de pontinha de pé e toquei em sua cabeça, dando um beijo no topo dela. Ele sorriu. – Eu sempre estarei aqui se você precisar está bem? Sempre.

– Eu sei disso. Você está sendo uma ótima amiga, Evans. – Ele falou, piscando. Eu comecei a rir, e ele riu junto.

– Quer dizer que eu não estava sendo uma boa amiga antes, Potter? – Cruzei os braços, falando em tom de indignação e ele riu de novo.

– Boa noite, Lily.

– Boa noite, James. – Respondi, fazendo bico. Ele beijou minha testa e eu sorri. Aquilo foi tão bom.

– Nos vemos amanhã.

Eu assenti, e o assisti indo embora até perdê-lo de vista, ainda com o sorriso no rosto.

Bom, eu nem preciso dizer que depois disso tudo mudou, não é?


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