23.6.15

De J.K. Rowling: A Espada de Gryffindor

Texto de J.K. Rowling lançado no Pottermore, no sétimo livro - Harry Potter e as Relíquias da Morte. Rowling contou a história da famosa Espada de Gryffindor, dirimindo boatos e apresentando, também, seus pareceres pessoais. Leia a seguir, na íntegra, em português:

A Espada de Gryffindor

Novas informações por J.K. Rowling:

A espada de Gryffindor foi feita há um milênio por duendes, os ferreiros mais habilidosos do mundo bruxo, e é portanto encantada. Moldada a partir de prata pura, é cravejada por rubis, a pedra que representa a Grifinória na ampulheta que conta os pontos das casas em Hogwarts. O nome de Godric Gryffindor está gravado logo abaixo do punho.

A espada foi feita de acordo com as especificações de Godric Gryffindor por Ragnuk, o Primeiro, o mais refinado dos duendes ferreiros, e portanto Rei (na cultura dos duendes, o governante não trabalha mais que os outros, mas mais habilmente). Quando ela foi finalizada, Ragnuk a cobiçou tanto que ele fingiu que Gryffindor a havia roubado dele, e enviou subordinados para roubá-la de volta. Gryffindor se defendeu com sua varinha, mas não matou os atacantes.  Ele os enviou de volta para o seu Rei enfeitiçados, para entregarem a ameaça de que se ele tentasse roubar Gryffindor novamente, o bruxo iria desembainhar a espada contra todos eles.

O duende rei tomou a ameaça seriamente e deixou Gryffindor em posse de sua devida propriedade, mas continuou ressentido até sua morte. Essa foi a fundação para a falsa lenda do roubo feito por Gryffindor que persiste, em algumas partes da comunidade de duendes, até hoje.

A pergunta do porquê um bruxo precisaria de uma espada, apesar de frequentemente feita, é facilmente respondida. Nos dias anteriores ao Estatuto Internacional de Sigilo, quando bruxos misturavam-se livremente com trouxas, eles usariam espadas para se defenderem tão frequentemente como varinhas. De fato, não foi considerado esportivo usar varinhas contra uma espada trouxa (o que não quer dizer que nunca foi feito). Muitos bruxos talentosos foram também duelistas habilidosos no senso convencional, Gryffindor sendo um deles.

Houve muitas espadas encantadas no folclore. A Espada de Nuadu, parte dos quadro tesouros lendários de Tuatha Dé Danann, era invencível quando desembainhada. A espada de Gryffindor deve algo para a lenda de Excalibur, a espada do Rei Arthur, que em algumas lendas deve ser retirada da pedra pelo devido rei. A ideia de aptidão para carregar a espada ecoa no retorno da espada de Gryffindor para membros merecedores da casa do seu verdadeiro dono.

Muito como uma varinha mágica, a espada de Gryffindor parece ser quase consciente, respondendo aos apelos por ajuda dos sucessores escolhidos de Gryffindor; e, assim como uma varinha, parte de sua magia é absorver aquilo que a fortalece, o que pode posteriormente ser usado contra inimigos.

Comentários de J.K. Rowling:

Há uma grande alusão a Excalibur emergindo do lago quando Harry precisa mergulhar em um congelado na floresta para recuperar a espada em Relíquias da Morte (apesar da localização da espada ter sido na verdade devido a um rancoroso impulso por parte de Snape), já que em outras versões da lenda, Excalibur foi dada para Arthur pela Dama do Lago, e foi devolvida para o lago quando ele morreu.

Dentro do mundo mágico, posse física não é necessariamente garantia de propriedade. Esse conceito é aplicado para as três relíquias da morte e também para a espada de Gryffindor.


Eu sou interessada no que acontece quando crenças culturais colidem. Nos livros da série Harry Potter, o mais militante da raça de duendes considera todos objetos feitos por eles serem de sua raça por direito, apesar de um objeto específico poder ser feito para um bruxo para ser usado por ele em seu tempo de vida, por um pagamento em ouro. Bruxas e bruxos, assim como trouxas, acreditam que quando o pagamento for feito, o objeto pertence a eles e seus descendentes ou legatários para sempre. Esse é um choque de valores sem solução, porque cada lado tem um conceito diferente do que é certo. Posteriormente, Harry é apresentado a um dilema moral difícil quando Grampo exige a espada como pagamento por seus serviços em Relíquias da Morte.  

Tradução: Gabriel Pimentel.

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