sábado, 28 de novembro de 2015

[Exclusivo] Entrevista com Charles Emmanuel, o dublador de Rony Weasley

O dublador Charles Emmanuel esteve presente hoje (28) no evento Anipólitan, um festival sobre a cultura Pop que ocorre na Bahia - amanhã, 29, será o segundo dia de atrações. Nesta edição, a nossa tradutora Clarissa Magalhães também marcou presença e, ao final, entrevistou Charles. 

Para quem não sabe, Charles Emmanuel dublou Rony Weasley nos oito filmes da série Harry Potter. A seguir, confira a entrevista completa:

Quais foram as suas maiores facilidades quando você começou a carreira como dublador?

Charles : Então, eu comecei com uns sete anos e meio de idade. Eu tive duas facilidades: uma foi que eu tinha a minha mãe, dubladora, e a outra foi minha voz infantil, de menino. Isso é muito requisitado no meio da dublagem, porque a voz do garoto engrossa muito rápido, então, com doze ou treze anos, a voz já amadureceu ou está amadurecendo. Às vezes, os dubladores perdem os personagens. Como Timmy Turner, que já mudou duas vezes de dublador.

Mas a criança cresce também. Ela tem que mudar a voz, faz parte.

Charles: Sim, como a voz do Rony Weasley, de Harry Potter. A voz dele engrossou até mais rápido que a minha. Mas o Timmy, por exemplo, ele é criança para sempre. A voz precisa se manter a mesma. Mas nesse caso, como eu tive a sorte de dublar o Rony e crescer com ele, os produtores deixaram. Só que minha voz demorou um pouquinho para engrossar. A voz de Rupert Grint original, no segundo filme, já começava a engrossar. E a minha ainda não. Eu falei “Diretor, eu acho que a voz dele está um pouco grossa pra mim, o que eu faço?” e aí ele respondeu: “Não, fale com sua voz normal, porque sua voz condiz com a aparência dele”. Só que aí quando chegou no quarto filme, minha voz ainda estava muito infantil para o corpo dele. E aí o diretor falou “vamos engrossar essa voz aí”.

E como funciona o processo de entonação de voz?

Charles: Como o filme já vem pronto, as emoções que o ator quer passar para o personagem já vêm prontas. E a gente só vai em cima do que está fazendo, nos baseamos muito no original. De vez em quando fazemos uma atuação própria. Mais com desenho. Nos desenhos, a gente cria mais. Com pessoas, você não pode fazer uma voz caricata, por exemplo, que não combina com a ação dele na cena.

E você não mistura, não? Quando você é você, Charlie.

Charles: Normal, não. Eu misturo mais quando estou dublando algum personagem. Do nada, eu peço pra repetir. Eu falo “ih, caramba, esse Rigby está muito Ben 10. Vamos voltar, vamos fazer de novo, a voz do Rigby é mais arranhada”. E aí eu peço pra refazer. Mas, normalmente.... Eu faço tantas vozes, eu sempre misturo tudo.

E essa coisa de não aparecer na cena, mas ser a sua voz...

Charles: Então, eu prefiro isso. Eu já fiz televisão e tal. Eu adoro essa parte dos bastidores, de não aparecer. Mas eu adoro participar dos eventos pelo Brasil afora, como o Anipolitan, por exemplo.

E dá vergonha?

Charles: Cara, não dá vergonha porque eu escolhi trabalhar com isso aqui. Eu estou sendo parado na rua toda hora, você não pode sair de casa. É meio chato, sabe.

E como é a sensação de assistir a um filme dublado, com uma pessoa atuando com a sua voz?

Charles: Ah, cara, a única coisa que eu penso é o seguinte: eu podia ter melhorado isso aí. Não está bom. A gente quando vai gravar só assiste as nossas cenas. Então, quando vejo o filme completo, eu fico: “poxa, eu podia ter feito diferente, porque isso aí tem referência com outra cena que eu não vi”.

E não é meio esquisito, você assiste à pessoa e pensa “Ah, essa pessoa sou eu? Será que sou eu?”

Charles: Ah, talvez, depende. Tem aqueles caras bombadões, que eu queria ser, porque eu odeio academia.

Você vai participar ou gostaria de participar de Animais Fantásticos e onde Habitam?

Charles: Ah, com certeza [gostaria]. Alguém me falou que vai ter uma participação do Rupert. Um flash back, salvo engano. Mas eu não sei de quando é que é esse flash back. Se eles forem muito infantis, minha voz não estará mais compatível. Não faria sentido me colocarem. Se for na época do quarto filme em diante, acho que minha voz alcança ainda.

Mas e como figurante ou outro personagem?

Charles: Ah, eu não negaria, não! (Risos.)

É isso! Gostaram da entrevista? O dublador de Rony Weasley também deixou um recado para vocês, confiram aí...

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