sábado, 3 de outubro de 2015

Jim Kay comenta sobre seu processo criativo, referências e como foi ser chamado para ilustrar Harry Potter!


O The Telegraph, que liberou algumas imagens inéditas da edição ilustrada de Harry Potter e a Pedra Filosofal, lançou hoje, dia 03, a exatos 3 dias do lançamento do livro, uma postagem completa sobre o Jim Kay. O responsável por ilustrar todas as 7 novas edições ilustradas da série Harry Potter contou diversos detalhes sobre a criação das obras.

Contando um pouco sobre seu processo criativo, até como foi chamado para fazer as ilustrações, podemos ver que o artista realmente se empenhou em dar seu melhor para criar esse mundo mágico!

Kay já ilustrou obras mais sombrias como A Monster Calls, produziu alguns desenhos para uma coleção de histórias sobre a Primeira Guerra Mundial e fez artes conceituais para a produção televisiva Jonathan Strange & Mr Norrell. Ainda assim, o artista ficou impressionado quando a editora da J.K. Rowling o procurou para lhe pedir que ilustrasse não apenas um, mas sete livros da série Harry Potter, para novas edições gloriosas pelos próximos sete anos. O plano da Bloomsbury é lançar um livro por ano, começando com A Pedra Filosofal neste mês.
Ilustração de "A Monster Calls"

"Eu ainda não havia desenhado crianças, na verdade, e eu não sou conhecido por um estilo alegre de ilustrações", disse Jim. Ele também comenta com o The Telegraph que pensou sobre o porquê de criar esse mundo, se ele já havia sido exibido completamente através dos filmes, além da pressão de adaptar uma obra tão grande e importante para os fãs: "Você não quer ser conhecido como a pessoa que arruinou os livros infantis mais populares da história."

O artista levou dois anos de trabalho duro. Sete dias por semana, Jim Kay trabalhou nessa edição ilustrada e pelo o que podemos ver do que já foi liberado, ele foi extremamente fiel e ao mesmo tempo criativo com nosso mundo mágico favorito.

A própria J.K.deu sua aprovação às ilustrações do artista: "Eu amo a interpretação dele do mundo de Harry Potter, e eu me sinto honrada e grata que ele tenha emprestado seu talento a esse mundo." Kay ainda comenta que a Jo lhe enviou uma carta privada: "Ela enviou uma carta amável, e foi a primeira vez que percebi que isso era real. Imagine que você é um vicário e encontra um recado de Deus em um post-it na sua geladeira. Foi algo assim."

O artigo também comenta sobre o processo de criação do ilustrador: "Ele frequentemente põe as mãos em sua testa e sorri forçadamente de vergonha enquanto olha seu trabalho. E descreve quase toda técnica de ilustração como vinda de ansiedade ou fracasso [...] Enquanto mostra o trabalho guardado no estúdio, ele aponta que a maioria dos rascunhos preliminares que fez para Harry Potter já se foram. Não muito tempo atrás, ele diz, levou o carro cheio para o depósito de lixo."

Ele ainda aponta que não chegou em um estilo definido de criar seus trabalhos, o que dá um toque interessante às suas ilustrações, já que está sempre experimentando coisas novas o tempo todo. Mas quando ele finalmente chegar a um estilo, o trabalho vai ficar mais fácil.

O artista, de fato, apresenta um estilo bem variado, usando técnicas que vão desde "paisagens fantasmagoricamente aquareladas, fundos altamente texturizados e retorcidos, detalhes que são só seus" até "esguichos estilo Ralph Steadman e retratados 'Holbeinescos'".

Ao The Telegraph, o artista mostrou seus primeiros rascunhos do Beco Diagonal, comentando sobre como foi o processo de desenha-lo: "foi quase como fazer tricô - você começa em uma extremidade e segue em frente." Mas alguns outros foram bem mais difíceis. A Torre de Astronomia, por exemplo, ele diz que foi extremamente difícil acertar. De primeira ele queria uma serpente atravessando a torre, mas não conseguia deixar de pensar sobre isso no mundo real, por isso escreveu desde o começo desse trabalho um recado para si: "Eu tive essa nota por um tempo que dizia: 'é apenas fantasia, estúpido.' Porque eu sempre trazia tudo para leis da física e logísticas e você não precisa fazer isso porque é tudo sustentado por magia. Levou um bom tempo para me livrar disso - é algo muito entranhado."


O artista já está trabalhando nas ilustrações de Harry Potter e a Câmara Secreta, e comentou como que por trás de cada desenho finalizado, sempre existem diversas e diversas tentativas. "Eu estava desenhando uma mão para o segundo livro, e eu percebi que havia feito 14, 15 tentativas de desenha-la." E até mesmo quando está feliz com o desenho, ele conta que adiciona camadas de cor e detalhes em folhas separadas: "Em parte porque eu tive uma perda terrível de confiança quando estava fazendo essas ilustrações. Uma vez eu comecei a desenhar algo, eu estava convencido de que iria arruiná-lo, então peguei para um folha separada, então outra e outra... E Logo eu tinha 10 pedaços diferentes onde normalmente você deveria ter esse pintura finalizada.

Mas eu tive vibrações terríveis quando eu estava trabalhando nisso. Acho que por causa do tamanho do projeto. É a primeira vez que eu trabalho em um projeto que todo mundo conhece a história. Normalmente você está trabalhando em algo que ainda não foi publicado. E na maior parte desse projeto... tive que mudar a forma como trabalho, porque eu não podia pintar da forma que eu costumava. Quando eu conseguir minha confiança de volta, começarei a pintar diretamente e serei mais rápido."

A escritora do texto no Telegraph observou que alguns dos trabalhos do artista podem parecer bem atormentadores, seja através da densidade deles ou da complexidade, e comenta com o artista que se alguém tentasse traduzir o sentimento das ilustrações para outra pessoa, elas perceberiam muita energia, ou muita preocupação. E o artista responde depois de uma risada tímida: "Bem, eu fui diagnosticado com vários... problemas, sim.... então essa pode ser a razão para isso."

Mas ela persiste perguntando se essa densidade e complexidade das obras dele são um sintoma ou uma solução para o que acontece dentro de sua mente, e ele comenta: "Seria uma terapia se as ilustrações dessem certo mais frequentemente. Mas não é o que acontece, então pode funcionar como um catalisador quando é um dia difícil. É bem antagônico."

E como vimos, o artista costuma se aventurar fora de sua zona de conforto, mas ele comenta que com esse projeto de Harry Potter tem sido como "vestir calças de urtiga de pé em um tapete espinhoso."



Kay nasceu em 1974, e apesar de seu avó amar desenhar, ele diz que as aulas de atuação que foi incentivado a frequentar junto com seus parentes foi um dos fatores mais importantes para ele se tornar um ilustrador: "Já que estávamos estudando drama, fomos expostos a uma grande variedade de literatura", e assim ele teve contato com várias histórias que exercitaram sua imaginação, que é, mais do que sua habilidade, o que faz dele um ilustrador. "As pessoas confundem a técnica com arte. Eu estive em escolas onde crianças muito jovens descartam a ideia de que elas possam ser um artista ou ilustrador porque nessa idade você não pode desenhar particularmente bem. Mas ainda assim as ideias delas são fantásticas."

Mas isso não quer dizer que ele não treinava bastante quando mais jovem. Ele conta que quando criança, cobria grandes folhas de papel com corais de recifes detalhados. "Eu começava em uma borda muito pequeno. Eu percebi que o menor que eu desenhasse mais eu poderia colocar em um papel. Nós cobríamos essas folhas de papel com coisas complexas." E até mesmo hoje, ele diz: "paisagens são como autorretratos para mim. Há mais de quem eu sou quando estou desenhando árvores e o mundo natural do que quando estou desenhando pessoas."

Ele estudou ilustração na universidade e trabalhou como ilustrador por um curto período de tempo, mas foi difícil conseguir viver, por isso o artista desistiu e ficou sem desenhar por 10 anos. "É meu grande arrependimento." Ele teve diversos trabalhos até parar nos arquivos da galeria de arte Tate, onde ele cuidava de papeis de artistas britânicos, lendo escritos dos artistas em primeira mão, como do Stanley Spencer. Ele acabou sendo contratado como curador da coleção de ilustrações do Royal Botanic Garden em Kew. Até que um dia, andando com um amigo enquanto criticava um ou outro artista, seu amigo disse: "Bem, pelo menos eles estão tentando." E finalmente ele percebeu que seu colega estava certo.

Pouco depois disso ele conseguiu montar uma exibição de seus trabalhos na Riverside Gallery em Richmond, após o dono da galeria oferecer a ele o local depois que havia visto algum dos trabalhos antigos do artista. Apesar de não ter desenhado nada há certo tempo, ele acabou aceitando. Foi difícil, já que ele não tinha dinheiro e teve que faze por conta própria as molduras, cortar o vidro, e desenhar enquanto trabalhava em tempo integral. No fim, foi a exibição com mais visitantes da galeria. Dessa forma, ele voltou a trabalhar com ilustrações. Muito devido, segundo ele, a sua parceria Louise Clark.



Ele acabou usando-a como referência para criar a ilustração da Minerva. Kay comenta: "Nós ficamos bem isolados por aqui, eu uso espelhos frequentemente. Eu não conheço nenhuma criança. Esse livro me forçou a interagir com pessoas. Eu precisava de modelos jovens que podia usar como referência por sete anos."

Ele leu os livros há certo tempo, então acabou esquecendo como imaginou os personagens de Harry Potter e a Pedra Filosofal. Os atores do filme haviam sido colocados na sua mente. Mas ele releu os livros e pôde fazer sua própria interpretação. Ele comenta que procurou por modelos reais para usar. Por exemplo, Hagrid é, em parte, um ciclista idoso que vive em Kettering. Ele foi o primeiro personagem que Kay desenhou, e a partir do qual ele estabeleceu um ponto de vista para criar os outros. "Eu vejo muitos livros infantis onde a altura do olhos é de um adulto. O que eu acho estranho, porque crianças veem o mundo de uma perspectiva mais baixa. É legal desenhar gigantes porque lembra você de como é ser uma criança novamente. A ilustração do Hagrid segue essa perspectiva, é como se olhássemos para cima."

O Sr. Durley é baseado em um açougueiro local. A Hermione é baseada na sobrinha do Jim. Harry foi um menino que ele viu no metrô de Londres, e Kay teve duas paradas para se apresentar para a mãe do menino e a persuadi-lo a posar para ele - para um livro cujo tema ele ainda não podia revelar. Draco Malfoy e Rony Weasley vieram ambos de uma escola em Burford, a qual ele havia sido convidado para visitar por um aluno que havia amado A Monster Calls.

"Serei honesto. É a primeira vez que eu olhei adequadamente para as pessoas. Eu nunca tinha apreciado como somos todos diferentes antes. Quero dizer que até mesmo na mesma idade pode haver uma diferença de 60, 90 centímetros entre as crianças. Eu só quero desenhá-las o tempo todo."

O que não aconteceu. Ele nem mesmo conseguiu deixá-las paradas tempo suficiente para desenhar diretamente a partir delas. Por isso ele tirou fotos delas nas posições que ele precisava de acordo com os rascunhos preliminares, e alterou as características delas para se encaixar nas descrições da J.K. Rowling. Obviamente não foi um trabalho fácil: "Crianças são impiedosamente difíceis de se desenhar. Se você coloca uma única linha errada em uma criança, você as envelhece em cinco ou dez anos. Uma abaixo dos olhos e elas irão parecer adultas."


Ele ainda comenta que não quer falsificar o envelhecimento dos personagens através de sete anos. Em seis meses, o pequeno rapaz que se tornou o Malfoy desenvolveu um corpo atlético e ficou mais alto que o Jim. Mas quando ele se encontrou com eles, não pôde contar às crianças qual era o projeto, então não tinha como pedir a elas para se comprometerem a sete anos como modelos. Agora elas sabem.

Apesar das incríveis obras de arte criadas pelo Jim, ele ainda se sente nervoso com o trabalho: "Eu não consigo nem contar o quão preocupado estou. É algo tão público, Harry Potter." Mas mesmo se não der certo dessa vez, ele diz: "nós temos outros seis livros para fazer dar certo."

E você, gostou das ilustrações do artista? Animado para colocar as mãos nessa nova edição? Lembrando que a Rocco vai lançar ela por aqui ano que vem!

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