sábado, 8 de julho de 2017

Entrevista com Barbara Marcus, editora da Scholastic



Barbara Marcus foi a presidente da Scholastic, editora de Harry Potter nos Estados Unidos, e atualmente é editora e presidente da Random House Children's Books. Celebrando os vinte anos do lançamento de Pedra Filosofal, o Underlined entrevistou-a para descobrir um pouquinho de sua experiência com o nosso herói. Confira, a seguir, a tradução do OPD.
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Underlined. Como você obteve o primeiro livro de Harry Potter? Qual foi sua reação lendo o manuscrito?

Barbara Marcus. O agente de Jo Rowling enviou o manuscrito a diversas editoras, e Arthur Levine o recebeu na Scholastic. Ele sabia que haveria um leilão, então me deu o manuscrito para que eu lesse. Eu não tinha tempo para lê-lo de imediato, então o dei para Lucy, minha filha, que agora tem trinta anos. Ela sempre foi uma grande leitora, então ela leu o livro e me disse: "Mãe, isso é melhor que Roald Dahl!" Quando eu o li, soube que era especial. Tinha a sensação que a história se tornaria um clássico moderno.



U. O que aconteceu no leilão?

BM. O leilão ficou entre duas editoras, e o preço chegou aos seis dígitos, o que era considerado um valor alto para um autor novato. Arthur foi ao meu escritório e eu o disse que achava que o livro tinha potencial para vender bem para sempre. Eu disse: "Se você o ama, compre-o". Nós demos mais um lance. E conseguimos.



U. Isso aconteceu já faz vinte anos e Harry Potter continua sendo um fenômeno. O que você acha que fez a história um sucesso tão grande?

BM. Jo Rowling é um gênio. Eu acho que a história é um sucesso porque é sobre crianças normais em um mundo extraordinário. Tem um sentimento de "eu consigo me identificar com isso independente de quem eu seja". Em sua essência é disso que contam os livros - você poderia ser Harry Potter, eu poderia, qualquer um poderia ser Harry Potter.


U. Quando você saiu da Scholastic? E foi difícil deixar Harry Potter?

BM. Eu adquiri todos os livros, mas saí antes do último ser publicado. Eu senti meio como se eu tivesse feito meu trabalho. Naquela época, eles tinham começado a produzir os filmes e Harry Potter tinha se tornado uma franquia enorme. No começo, só o que importava era a quantidade de amor que os livros davam aos leitores e livreiros. Importavam as escolhas que faziamos com Jo, e quão criativos podíamos ficar. Por causa do mundo mágico, podíamos criar várias açoes de marketing divertidíssimas! Por volta do quarto livro, quando Harry Potter realmente se tornou um fenômeno, era comoo se aquilo tudo fosse maior que a Scholastic - aquilo pertenia aos leitores. No dia que o último livro lançou, foi difícil não estar liderando a Scholastic, mas eu saí de lá sabendo que os livro tinham ficado em boas mãos.


U. Qual dos livros é o seu favorito?

BM. Acho que o mais triste, mas o mais mágico é o Cálice de Fogo, mas realmente não consigo ter um favorito, porque cada um deles tem uma certa magia envolvida. Meu filho mais novo, que agora tem vinte e três anos, relê os livros todo verão, e a gente sempre conversa sobre eles. Eu costumava saber cada parte de cada livro, então é uma ótima forma de relembrar, meio que voltando para uma era de ouro - podendo falar sobre Hogsmead, os personagens espetaculares, e todas as partes incríveis da série.


U. Você tem algum personagem favorito?

BM. Não! Eu diria que você tem que amar Hermione. Vocẽ tem que amar Dobby. Você tem que amar Hagrid. Tem tantos deles quando você para pra pensar!


U. Você tem alguma memória favorita da época em que você trabalhava com a série?

BM. O que eu mais admiro na Jo é a sua lealdade com os leitores. Eu lembro do seu primeiro tour como autora, ela tinha acabado de ser publicada nos Estados Unidos e descoberto que os direitos para a produção de filmes e colecionáveis tinham sido comprados. Ela estava nervosa, porque a empresa deveria dar prioridade para que os livros fossem publicados. Ela queria que as crianças fossem capazes de imaginar como o mundo era e como eram os personagens, e não os queria como brinquedos.
Ela demorou bastante para fazr os filmes porque queria que os livros fossem publicados primeiro. Agora os livros e filmes são muito interligados, mas, a princípio, ela realmente queria que os leitores criassem o mundo por si só.


U. Enquanto cresciam em popularidade, como vocês consegiam manter a série em torno dos livros e dos leitores?

BM. Em torno do quarto livro, Jo não queria que nenhum crítico recebesse o livro com antecedência. Ela queria que todos o conseguissem simultaneamente. Enquanto editora, gastamos um bom tempo tentando ter certeza que ninguém receberia o livro antes do lançamento. Uma vez, um trem com um carregamento de livros ficou preso durante a noite. Um grupo de crianças invadiu e pegou algumas cópias, que planejavam distribuir na escola, no dia seguinte A direção da escola os convenceu a nos devolver os livros. Eu poderia contar várias histórias como essa - sobre como não queríamos que os leitores fossem influenciados pelas críticas ou pela mídia, mas que experimentasem a próxima história de Harry Potter a lendo.
É aqui que entram as festas à meia noite - elas aconteciam de forma natural nas livrarias indies. Eu lembro de estar indo para a American Library AssociationNT, em Chicago, quando o terceiro livro foi lançado. Parei na Anderson's Bookshop, em Nashville, Illinois, onde eles estavam fazendo uma festa à meia noite, e era tão mágico. Foram os indies que realmente abraçaram a magia dos livros.
Entre o quinto e o sexto livro, eu e minha família alugamos um carro para a noite e dirigimos por Nova Iorque, indo em vários lugares onde estavam cantecendo eventos à meia noite. Foi maravilhoso. As pessoas tinham momentos muito bons.


U. O que mais você gostaria de ressaltar sobre o seu trabalho na agora clássica série?

BM. O que é único quando se publica esses livros é que a gente realmente se importava em como os livros iam parecer. Naquele tempo, livros infanto-juvenis não tinham capas com detalhes trabalhados em dourado e estampas em auto-relevo, e não tinham ilustrações na abertura do capítulo, o que são coisas que agora nós garantimos. Capas duras para livros infanto juvenis não vendiam como vendem agora. Nós só assumimos que esses livors seriam importantes para sempre, então deveriam ser tratados como um livro para adultos. Nós tivemos o cuidado de fazer com que o livro físico fosse especial também, porque acreditávamos nisso.

NT - Associação de Biblotecas dos Estados Unidos, em tradução livre


Tradução: Henrique Scheffer.

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