sábado, 28 de novembro de 2015

Leia a entrevista completa de J.K. Rowling com Lauren Laverne - Jo falou sobre Cursed Child, Animais Fantásticos e sua vida pessoal


J.K. Rowling concedeu uma entrevista para a Lauren Laverne, apresentadora de rádio e TV da BBC. Lauren e J.K. se encontraram para discutir várias coisas, desde fama, o vocalista do The Smiths, dinheiro até brevemente Animais Fantásticos e Cursed Child.


Nesta manhã, a Jo comentou no Twitter que essa entrevista foi a mais divertida que ela já fez: "Maior diversão que eu já tive em um entrevista xxx" e a Lauren Laverne só respondeu: " <3 <3 <3"

Enfim, leia abaixo a nossa tradução da entrevista que foi publicada originalmente no The Guardian!

LL Ok, vamos conversar. Então, aparentemente isso é parte de uma série sobre como a arte da conversa está morrendo. E eu não tenho certeza se somos um caso para estudo ou...

JR Vamos provar que eles estão errados!

LL Mas eu pensei em perguntar que tipo de conversas você mais gosta - com quem você mais gosta de falar?

JR Bem, é bem brega, mas meu marido é definitivamente meu melhor amigo. Minha irmã. Sou uma pessoa de pequenos grupos. Meu sonho é fazer parte de um pequeno grupo que eu conheça muito bem, então nós poderemos ter uma conversa intensa. Eu não quero uma discussão, mas uma conversa sobre coisas que realmente importam.

LL Eu sou terrível em conversa fiada.

JR Eu não acho que eu poderia ser amiga de alguém que fosse bom em conversa fiada.

LL Eu lembro uma vez ter que conversar com um parlamentar. Era um programa tarde da noite e eles trouxeram o jornal do dia seguinte para olharmos, e havia uma foto de um cachorro na capa. E sabe aquela forma melancólica que pessoas chiques falam sobre animais? É uma das coisas que eu nunca aprendi. Eu nem mesmo sei que expressão fazer. Além de qualquer coisa onde as pessoas falem sobre o caminho que elas tomaram para chegar aqui.

JR Bem, eu não posso dirigir, então eu sou ainda pior. Alguém me trouxe até aqui, e eu estou sempre pensando sobre alguma outra coisa.

LL Minhas amigas e eu fazemos encontros trimestrais, porque é tão difícil juntar todo mundo. Mas nós temos nosso encontro trimestral onde nós saímos, sentamos e quase levantamos nossas mangas porque temos que falar sobre absolutamente tudo.

JR Duas das minhas amigas mais próximas vivem fora do país, então nós somos assim. Você quase tem uma lista de itens a serem discutidos: nós temos que conversas sobre essas coisas.

LL Nós definitivamente pré-discutimos o que iremos discutir. Diremos como se fosse uma piada, mas essas são as conversas que dão sentido ao nosso mundo. Eu também converso com a minha mãe o tempo todo. Nós tivemos recentemente uma discussão sobre a menopausa. Ela disse que nem tudo era ruim, e que, na verdade, a medida que você envelhece, seus níveis de testosterona aumentam.

JR Você não está nem um pouco perto da menopausa!

LL Não, mas eu acho que ela está nos preparando.

JR Eu sou um pouco desinformada porque, não querendo acabar com o humor dramaticamente, minha mãe morreu antes de chegar na menopausa. Eu preciso forçar minhas amigas a falar comigo sobre.

LL Minha mãe começou dizendo que, a medida que você envelhece, você aceita menos bobagens. E recentemente eu tenho escrito sobre olhar para os 40 anos. Eu tenho 37, e quero decidir como chegar aos 40.

JR Eu genuinamente amei fazer 40 anos. Veja, eu não era muito boa em ser jovem. Eu sinto como se tivesse ficado mais e mais feliz. Sinto como se eu tivesse atingido meu máximo potencial.

LL Eu sempre fui uma alma velha.

JR Eu consigo ver isso em você - mas ainda acho que você é melhor em ser jovem do que eu.

LL Ah, eu não sei. O hedonismo desenfreado nunca combinou muito bem com a gente. Eu estou ansiosa para chegar aos 40 anos, então eu saberei onde estou. Mas é uma época incrível, especialmente com as crianças.

JR Eu não irei perguntar se você terá mais filhos, porque acho que essa é uma pergunta incrivelmente intrusiva. Mas eu direi que teria tido outros se fosse mais jovem.

LL Sério?

JR Sim, definitivamente. Mas eu tinha 39 anos quando meu filho mais novo nasceu, então eu decidi traçar um limite. Eu sentia que nós tínhamos sido muito sortudos, nós tivemos três filhos incríveis, então eu parei. Mas eu nunca atingiria um ponto onde eu pensaria, nunca mais.

LL Eu não consigo me imaginar chegando nesse ponto também. Acredito que a alegria venha do desconhecido. Toda essa experiência de ter filhos implica na perda de controle - você não pode escolher quem eles são.

JR Exatamente.





LL Eu queria te perguntar sobre nomear coisas, porque você tem uma relação interessante com o poder dos nomes. Obviamente, ter escrito sob um pseudônimo diferente, e tendo personagens com nomes maravilhosos, "Dickensinianos" e que se encaixam perfeitamente.

JR Eu acho que eles estavam dizendo que havia 1 chance em 100 de eu chamar meu filho de Voldemort. 1 em 100! Valeu a aposta. Mas você está certa, nomes são realmente importantes. Escolher um pseudônimo para o Robert Galbraith foi algo grande.

LL Como você fez isso?

JR Bem, quando eu era uma criança eu queria me chamar Ella Galbraith. Então eu pensei que eu poderia ser LA Galbraith, mas eu não queria usar iniciais.

LL Você entregaria a brincadeira.

JR Sim, e eu realmente não o levei muito em consideração - há também JK Galbraith, o famoso economista. Foi somente depois de eu ter escolhido Robert, pelo Robert Kennedy, que é meu maior herói político, que eu pensei, é como se eu estivesse querendo ser descoberta! O que estou fazendo?

LL Não houve acidentes.

JR Mas naquela época eu havia enviado o manuscrito para várias editoras. E havia uma pequena que queria publica, Deus os abençoe. Mas quando a Little, Brown se interessou, então... E seria um grande segredo para exigir de uma pequena editora.

LL Você consegue imaginar? O dia que você entrasse de fato na editora?

JR Estava se tornando cada vez mais problemático, mas eu tinha esse sonho de que eu conseguiria publicar dois ou três livros antes de ser descoberta.

LL Eu imagino se o nome permitiu você escrever no personagem, ser ele.

JR Você fala de escolher um pseudônimo masculino? Eu me sinto assexual enquanto escrevo. Gênero não entra nisso nem um pouco. Mas foi uma grande liberdade pensar "Ninguém saberá que sou eu." Eu ficava tão emocionada com cada carta de rejeição, você não tem ideia. Parecia tão real, era tudo sobre a escrita. Houve uma editora que disse 'Olhe, nós realmente gostamos disso, mas nós acabamos de contratar um outro escritor que está trabalhando na mesma área' - e eu fiquei encantada. Eu não irei dizer que eu fiquei animada da mesma forma que qualquer novo escritor ficaria, porque não é a mesma coisa. Qualquer escritor novato ficaria bem deprimido: “Você gostou - e não irá comprá-lo!" enquanto eu fiquei: “Você gostou! Isso é incrível!" Eu queria que isso tivesse durado um pouco mais.

LL Mas você não teve 12 rejeições com Harry Potter?

JR Sabe, eu já li todo tipo de número por aí e na verdade eu não sei. Mas foram algumas, sim.

LL E elas foram mais rudes? O que a fez continuar?

JR [Longa pausa] Essa é uma ótima pergunta porque eu não era nada confiante naquela época. Mas eu queria tanto, não desistiria tão facilmente. E eu não acho que já tenha sentido, antes ou desde então, nada como a alegria de perceber que eu seria publicada.

LL Como você descobriu?

JR Meu agente me ligou e... ele foi muito calmo sobre isso! Uma editora tinha guardado por seis meses, o que obviamente me deu muita esperança, e então eles disseram não. Eu fiquei devastada. Então [meu agente] me ligou e disse: "Bom, a Bloomsbury quer publicar!" - bem casual! Não percebendo que ele estava me dando o presente da minha vida. Teve uma longa pausa e eu só disse: "Então... Você está dizendo que eu serei publicada?"

LL Terrível momento "Pete Best" para qualquer um que passou por isso.

JR Bem, a primeira editora a rejeitar Harry escreveu para Robert Galbraith a carta de rejeição mais rude que ele recebeu. Então, eu acho que posso seguramente dizer que eu nunca escreverei para eles. Eles claramente não gostam de mim, não importa a forma que eu me apresente... [Risadas]

LL Ainda é um não, ok? Dê uma dica, Rowling!

JR Nós não queremos sua maldita poesia!

LL Mas a questão era, você acreditava tanto nisso.

JR Sabe, eu posso dizer isso agora, eu fui bem acanhada em dizer isto por um longo tempo. Mas eu tinha uma crença, com o Harry, que o elemento difícil iria persuadir alguém a publicar, porque o livro não se encaixava. As pessoas dizem que livros infantis precisam ter metade da grossura, e que assunto ultrapassado, um colégio interno. Eu tinha esse sentimento de que seria difícil ter que persuadir alguém a publicá-lo - mas que se fosse necessário, as pessoas iriam gostar.



LL Eu estava pensando como você mede o sucesso. Eu li sua página no Wikipédia porque iriamos fazer isso...

JR Oh Deus, você leu? Eu nunca li. Mas eu li a sua.

LL Você se deu muito bem, Jo.

JR Vivas, Lauren!

LL Sem spoilers, mas até onde a métrica tradicional vai, você está vencendo.

JR [Risos]

LL Mas, uma vez que você recebe a Legião da Honra, como você mede?

JR É muito estranho você me fazer essa pergunta, porque quatro dias atrás eu escrevi a resposta no quarto livro do Robert Galbraith. Porque quando você encontra meu detetive no quarto livro, ele está refletindo sobre como o sucesso nunca é do jeito que você acha que será. Algumas pessoas acham que você está se sentindo magnífico e lustrando suas bolas de Natal. Mas eu lembro, um semana após eu assinar meu acordo americano, o que me causou muita pressão, uma das minhas melhores amigas me ligou e disse: "Eu achei que você soava tão feliz." Do lado de fora, eu tenho certeza que tudo parecia incrível. Mas no meu apartamento, onde eu ainda era uma mãe solteira e não sabia para quem ligar para fazer meu cabelo, tudo parecia fenomenalmente esmagador. Pela primeira vez na minha vida eu podia comprar uma coisa, o que significava segurança para minha filha e para mim, mas agora eu sentia: "O próximo livro não pode possivelmente estar a altura desse." Então eu consegui transformar esse incrível triunfo em tragédia, no espaço de cinco dias.

LL Eu penso nisso como a "Big House Syndrome" (Síndrome da Casa Grande), que me assusta ligeiramente. Porque muitos dos meus contemporâneos foram e fizeram coisas incríveis, e eu penso sobre mim os acompanhando, ligeiramente abaixo do radar, mas consistentemente, certo? Eu sou como um termo da mídia: fique no trabalho, mantenha sua cabeça abaixada. A parte assustadora sobre aquele lado realmente visível do sucesso é que você tem que continuar fazendo - e você nem sabe como conseguiu fazer pela primeira vez.

JR Você fez as coisas que pareciam naturais, e então você é colocada numa posição que não parece muito natural. Você está tentando se reconectar com o que parecia normal há cinco minutos.

LL Sim: agora faça isso de novo! Mas a lenda sobre Harry Potter é que a história veio até você como um tipo de universo, em sua totalidade.

JR Há verdade nisso. Foi como uma explosão de cores e eu podia ver muitos detalhes daquele mundo. Claro que o enredo dos setes livros não veio de uma vez, mas as premissas básicas estavam lá.

LL E quantos desses mundos você consegue manter funcionando na sua cabeça ao mesmo tempo?

JR Eu acho que estou no limite agora. Tem a peça, que será incrível. E eu posso dizer isso porque eu estou colaborando com Jack Thorne e John Tiffany na história, o que tem sido extremamente divertido. Eu dei a eles muito material que eu tinha, e nós trabalhamos juntos - mas será uma experiência teatral e não tem nada a ver comigo, é trabalho do John.

LL E a escrita do roteiro? É o seu primeiro?

JR Eu sempre soube que a Warner Bros. queria fazer algo com Animais Fantásticos e, sendo um pouco louca por controle, eu achei melhor contar a eles que eu tinha uma ideia. Então eu meio que escrevi o roteiro sem querer. Eu sei que isso não soa nem um pouco ingênuo.

LL Algo como "Withnail" saindo de férias sem querer.

JR Bem, como você diz, não há acidentes. Mas eu não conseguia evitar pensar "Bem, eu imagino como seria." Era um esboço. Mas aqui nós estamos, e agora eu escrevi corretamente. Tem sido uma curva de aprendizado quase vertical.

LL Meu fato favorito sobre Harry Potter é a universidade italiana que fez as crianças lerem os livros e então mediu seus níveis de empatia, e descobriu que lê-los as tornava mais empáticas.

JR Eu li isso.

LL Eu sabia que você teria lido, e sabia que você teria amado.

JR Claro que eu amei! Quem não amaria isso? Eu estava com um grupo de amigos na outra noite e um deles disse para mim: "O livro ainda significa tanto para essas pessoas com vinte e poucos anos!" E eu disse que eu realmente entendi, porque eu sei o quanto significou para mim conhecer o Morrissey.

LL Você é uma grande fã do The Smiths.

JR Grande fã do Smiths. As pessoas que significam algo para você quando você tem 16, 17 anos, são as pessoas que estão te ajudando a atravessar as coisas. Então eu absolutamente entendo por que alguém que está se apoiando a Harry Potter como um lugar seguro com 13 anos fica animado aos 21 em falar sobre que casa eles estariam em Hogwarts. Eu não acho que seja infantil. Eu não acho que seja mais infantil do que eu ficando animado para encontrar o Morrissey. Eu estava com minha cunhada e ela disse: “Abaixe. A. Sua. Mão.” Eu estava andando depois com minha mão estendida assim [reproduz um aperto de mão rígido].

LL Como um Dalek.

JR Eu disse “Morrissey me tocou!" e ela disse “Eu sei, você está parecendo uma estúpida.” Eu o encontrei em uma situação tão bizarra, no Harvey Nichols. Nós estávamos olhando um para o outro, nos aproximando cada vez mais, e quase exatamente no mesmo momento nós estendemos nossas mãos. O que foi incrível para mim foi que o Morrissey sabia quem eu era. Eu queria voltar para a Joanne de 16 anos que está deitada no escuro com incenso ligado e ouvindo "Heaven Knows I'm Miserable Now" (O Céu Sabe que Estou Deprimido Agora) e dizer para ela: “Você irá conhecê-lo! Ele irá saber quem você é!”

LL Eu queria te perguntar sobre dinheiro, porque toda vez que mulheres tem uma conversa sobre dinheiro, um anjo consegue suas asas. Eu queria te perguntar o que você aprendeu sobre ele ao passar dos anos, de não ter nada, depois muito e depois doando muito - aparentemente você saiu da lista de ricos da Forbes porque você doou uma grande quantidade.

JR Sim, eu doei. Eu acho que tive uma das experiências mais peculiares porque estive em todo nível financeiro que você pode estar, vinda de não ter sequer um tostão. Minha família não tinha uma grande quantidade de dinheiro, mas nós não ficávamos sem. Eu suponho que o nível que eu senti falta, que durou provavelmente cerca de duas semanas, foi ter uma confortável vida de classe média. Eu passei por isso.

LL O trem não para, O Expresso de Hogwarts está passando!

JR Eu estava em um lugar onde eu pensei "Ok, se eu continuar trabalhando nós ficaremos ok, estamos seguras," quando de repente, bang! E eu pensei: "Eu não esperava por isso." Era como se eu tivesse ultrapassado a marca. E isso é algo difícil de se dizer para as pessoas, porque você pode ouvir milhões querendo rotular vocês por dizer que isso é assustador em alguma forma. Mas foi muito assustador.

LL Você achou que não seria capaz de lidar?

JR Eu não sabia o que deveria fazer com aquilo. Eu não conhecia ninguém que já tinha passado por isso. Uma das razões pelas quais eu fiquei muito feliz em conhecer a Oprah Winfrey...

LL [Para o gravador] Oprah não estava disponível hoje




JR [Risadas] Eu realmente gostei de ser entrevistada por ela porque nós conseguimos ter essa conversa. Ela é alguém que não cresceu rica, e então de repente tinha dinheiro e ninguém para falar sobre - e você não encontra muitas mulheres nessa posição. Ela disse para mim: "Você aceitou que será rica para sempre?" e eu definitivamente não aceitei. Eu disse para ela: "Você aceitou?" e ela disse: "Sim, eu sei agora que serei rica para sempre." Isso ainda não desceu. Quando eu estava grávida do meu filho, eu passei por uma preocupação por dinheiro que era completamente irracional, e eu acho que foi relacionada ao estresse - eu tinha um livro para sair e um bebê a caminho. Eu acho que foi um flashback da última vez que eu estive grávida, quando eu era realmente pobre. Eu me reconectei com a Joanne que estava entrando em pânico porque não conseguiria comprar roupas para o bebê.

LL Meu pai chama isso de "andar ao redor de dinheiro". O que é interessante é que você tem esse tema percorrendo todo seu trabalho, de riqueza e pobreza, e a natureza cumulativa dessas coisas.

JR Verdade. E é algo que eu sinto muito fortemente. Eu encontrei um homem alguns anos atrás que havia crescido com uma grande quantidade de dinheiro. E ele disse para mim: "Sabe, dinheiro não é a coisa mais importante." O que é ao mesmo tempo verdade, mas profundamente ignorante. Porque quando você não tem dinheiro, isso torna-se uma coisa muito importante. Apenas alguém que nunca teve que se preocupar diria algo assim.

LL Você acha que acontece o mesmo com a fama? Parece algo nebuloso, mas volta ao poder dos nomes. Você dá seu nome para algo, seu apoio, e isso realmente importa.

JR Sim, Eu já tentei bastante ajudar coisas que importam ardentemente para mim, ou que eu possa falar sobre com alguma autoridade - eu sou presidente da Gingerbread, a caridade para pais e mães solteiros, que significa muito por razões óbvias. Pesquisa para Esclerose Múltipla - isso é o que minha mãe tinha. É difícil, entretanto, porque te pedem coisas 10 vezes por dia. Te colocam a culpa se você não fez nada. Mas se você faz, se torna apenas ruído branco.

LL E ser reconhecida? O disfarce que tenho para mim é que todas as damas da BBC DJs se parecem um pouco. Então será algo como "Você é Jo Whiley?" Mas eu vejo que você fala "Desde que o Harry ficou famoso" e não "Desde que eu fiquei famosa.”

JR Eu tive uma relação muito desconfortável com isso por um longo tempo. Minha fantasia por anos era que eu entregaria meu cartão de crédito em uma loja e eles diriam: "Oh, você escreveu meu livro favorito!" Eu imaginei que teria uma vida bem calma e privada. Não esperava ir parar nos jornais de maiô.

LL E sendo uma mulher, suas opiniões que podem irritar certas pessoas.

JR Exatamente. Mas você aprende, não é?

LL Se você não a ama, não a busca, as pessoas suspeitam. Há uma suposição cultural de que fama é A coisa, a apoteose das conquistas.

JR Lisa Kudrow, de Friends, disse: "Você imagina como um abraço, mas quando acontece pode parecer uma agressão." Eu lembro a primeira vez que sai de um carro em um evento com tapete vermelho - aquela parede de barulho é assustadora. Eu não senti como se fosse um banho quente de amor. Não é que eu não sinta afeto pelos indivíduos fazendo aquele barulho, porque eu sinto, mas em conjunto foi muito assustador.

LL E se escrever é o que você ama, isso a afasta.

JR Se você quer ser uma autora, são grandes as chances de que você seja uma pessoa bem introvertida, que não particularmente quer as pessoas se preocupando com sua aparência. E a fama, em sua encarnação moderna, exige a mentalidade contrária.

LL Mas o Twitter para você é obviamente muito confortável.

JR Você está nadando na sua própria mídia. O Twitter tem sido uma dádiva pura para mim, incluindo os trolls. Porque chegou um ponto em que Harry Potter se tornou tão enorme que, em uma leitura ao público, haviam 2000 pessoas. Você não consegue responder as perguntas de todos. O Twitter me devolveu isto. Ninguém precisa comprar um ingresso. É bem democrático.

LL Tem uma frase amável no seu site, Pottermore: "sua parte mágica da internet". Se você fosse a responsável, você acabaria com os trolls?

JR Minhas listas de bloqueados e mutes não são longas, porque eu tenho uma tolerância bem alta com pessoas que eu não necessariamente iria querer fazer amizade - eu tenho interesse nos que elas estão dizendo. Você não iria querer limpar a sua timeline até o ponto em que você não veria alguns desses personagens. Vamos chamá-los de personagens. Quando você começou a twittar?

LL Aproximadamente em 2009. Eu realmente gostei. Porque eu tenho essa coisa, bem parecida com você, que eu sou muito amigável, mas bem privada. Eu ainda acho criativo e interessante. Acho que não deveria. As vezes eu acho que não me importo com as coisas que deveria me importar.

JR A vida é muito curta. Realmente é, não é? Nos seus 20 anos essas coisas importam muito mais, mas eu não sei. Eu afrouxei um pouco.

LL Eu estava pensando se você gosta de rádio.

JR Eu amo rádio.

LL Você seria ótima na rádio!

JR Bem, é minha mídia favorita.

LL É a mídia favorita das melhores pessoas. Eu acho que o especial sobre o rádio é que é muito profundo, mas de um jeito muito normal. Você é parte da vida diária das pessoas, tem pessoas nascendo, crescendo, morrendo, passando por fases difíceis na vida, e você pode acompanhá-las.

JR Eu sempre ouço a Radio 3 quando estou trabalhando, na verdade, porque a voz humana é muito distrativa.

LL Sim, se eu estou no escritório do Pool, nosso site, eu sempre irei ter Steve Reich tocando. Além disso, eu tenho algo estranho sobre saber a letra de qualquer música depois de ter a ouvido pela primeira vez. Quando estou entrevistando alguém, eu tenho as músicas dela tocando repetidamente na minha mente. O pior foi quando eu filmei o especial de Natal do “Ant and Dec” em um barco em Newcastle. Nós ficamos acordados bebendo até 7 da manhã, foi hilário e brilhante, mas o tempo inteiro eu tinha “Let's Get Ready to Rhumble” tocando várias vezes na minha cabeça.

JR Essa está em toda compilação de uma certa época.

LL Ela é subestimada.

JR Não é não.

LL Se as pessoas olhassem no meu iPhone, elas não veriam nada remotamente legal. Eu nunca liguei para essas coisas.

JR Eu vejo você como uma pessoa muito mais legal do que eu.

LL Você está brincando?

JR Você definitivamente é. E isso foi divertido.

LL Foi realmente divertido.

Tradução: Gabriel Pimentel
Revisão: Bárbara Kultchek

Um comentário:

  1. A J.K é realmente uma pessoa muito inspiradora! Eu to ansioso demais pelos lançamentos da série do Querido Cormoran <3

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