terça-feira, 15 de dezembro de 2015

O Trailer de Animais Fantásticos e o Poder da Nostalgia

Bem-vindo de volta!

12 de Setembro de 2013. Está foi a data exata em que a Warner anunciou que J.K. Rowling estava preparando o roteiro para a adaptação cinematográfica de "Animais Fantásticos e Onde Habitam", livremente baseado em seu próprio livro homônimo. Já eram passados mais de 2 anos desde a estreia do último capítulo da saga Harry Potter nos cinemas, e os fãs, a despeito dos vários fandoms que continuaram ativos e prosperando, estavam órfãos. Creio que era consciência comum o fato de que as histórias passadas no universo mágico não estavam acabadas - o poderio financeiro de sua marca é grande demais para isso -, sem contar a grandiosa gama de possibilidades para sua melhor exploração

Porém, caso perguntasse para qualquer Potterhead qual trama gostaria de ver desenvolvida ou adaptada, 8 em cada 7 comentariam sobre os marotos ou os tempos áureos de Dumbledore. Jamais transitava na cabeça de alguém ver um livro didático realizado para bens filantrópicos virar um potencial blockbuster americano. Inesperado, mas com os precedentes criados pela octologia anterior, tudo era possível.

Desde então, o fandom entrou em fervor e exultação, ansiando por cada especulação de elenco, produção ou qualquer outro anúncio relacionado a sua produção. Apesar de ter se mantido forte como nicho, os fãs voltaram a ter influência, e a franquia, mais uma chance de aumentar sua já assustadora marca. Não acho o impacto do nome Harry Potter jamais seria esquecido mesmo sem novidades, mas em uma mídia cada vez mais predatória e claustrofóbica, poucos podem se dar o luxo de Star Wars, que passa décadas de hiato - desconsiderando o material extra disponibilizado através de HQ's, livros e jogos, destinados à pessoas já adeptas de seu mundo -, e quando retorna, recebe atenção inabalável e incondicional, mesmo a última trilogia sendo duramente criticada.

Em um ano marcado por retornos - Digimon, Cavaleiros do Zodíaco, Star Wars, Jurassic Park, Dragon Ball e até do ninja Jiraya, para os mais nerds- , a Warner, creio eu que conscientemente, foi sábia ao deixar o primeiro material de divulgação forte para o final do ano, onde restam muitas poucas novidades consideráveis para serem reveladas. Talvez lançar após a estreia da nova aventura de Han Solo fosse mais inteligente, mas considerando as circunstâncias, foi a época sensata para fazê-lo. Mesmo com a força que a obra de J.K. possui, competir com a de George Lucas seria suicídio, como ocorreu com Arquivo X, um seriado renomado e de grande apreço, mas que teve o trailer de sua nova temporada completamente eclipsado por ser liberado no mesmo dia do de Star Wars. Logo que as críticas de "The Force Awakens" começarem a sair, o mundo do entretenimento estará fechado. Era agora ou apenas ano que vem.

Sem mais digressão, vamos então falar sobre o trailer de Animais Fantásticos.

Em toda sua extensão, impera um sentimento de nostalgia genuíno. Não digo isso apenas por ser um fã de longa data, o que torna o saudosismo natural, mas sim pela forma como o teaser foi construído.

As primeiras frases são "Lumus Maxima", "Lumux Maxima". Que atire a primeira pedra quem logo não recordou de "O Prisioneiro de Azkaban" e o início do filme, quando Harry revirava um livro de feitiços buscando passar despercebido pelos Dursley. Um método sutil e inteligente de logo envolver todos que tanto anseiam por voltar para o mundo mágico. Creio que 100% de vocês, leitores, ou abriram um largo sorriso, ou tiveram lágrimas surgindo, se não os dois.

Ignorem o volume. O Print Screen estragou e só tinha essa imagem disponível.


Não obstante, vemos um velho conhecido surgir à tela. Ele, o magnânimo logo da Warner Brothers. Essa empresa capitalista que tanto nos deu felicidades na última década.





















A partir daí, com a atenção do espectador fisgada, começam as novidades. Como ainda estamos há quase um ano do lançamento oficial, a pós-produção se encontra em fases iniciais. Não há trilha sonora e acredito que grande parte dos efeitos especiais esteja em fases preliminares, o que explica os quadros apresentados serem, em sua maioria, fechados ou escuros. Gostaria de ver mais dos cenários, a construção de Nova York bruxa em 1926, pois conhecendo os responsáveis pelo design de produção, tenho certeza de que farão algo criativo e notoriamente distinto do que nos acostumamos a ver no Beco Diagonal, por exemplo, mas entendo o por que de tamanha discrição.

Alguns outros pontos que merecem destaque: 



A maravilhosa Katherine Waterston como Tina Goldstein, no que parece ser o interior do MACUSA (Ministério da Magia americano).





























Você aceita o convite?




























Primeira impressão de figurino do personagem de Colin Farrell, descrito como um poderoso auror do MACUSA e braço direito do presidente do mundo mágico americano. O tabu americano entre trouxas (ou No-Majs) e bruxos é ainda mais forte do que o britânico, o que duplica levando em consideração a época de conservadorismo. Logo, Newt e seus amigos devem se meter em sérios problemas com suas criaturas causando tamanhos estragos.



























A 1ª aparição de Eddie Redmayne como Newt é soberba e deveras promissora. O talentoso ator consegue, em poucos segundos e uma fala, gerar empatia com seu jeito desengonçado e cômico.






















Newt lançando um feitiço seguido ao fundo por Jacob, o trouxa que segundo a sinopse, será um dos responsáveis pelas intempéries enfrentadas pelo excêntrico magizoologista.


E é isso. Talvez mostrar alguma criatura de relance no final seria uma forma fantástica de encerrá-lo, mas vamos com calma. O vídeo serviu muito mais como um aviso da Warner e J.K: "nós ainda estamos aqui", como a própria produtora fez antes do 1º Hobbit. E com esse objetivo em mente, pode-se dizer que foi amplamente competente. Serviu para instigar ainda mais os fãs, e creio que mesmo os não familiarizados com a trama original devem gostar do que foi apresentado. Espero que a Warner mantenha-se contida na exposição que fará durante a divulgação do longa, assim como a própria Disney fez com Star Wars até duas semanas atrás, antes de enlouquecer e começar a vazar metade do longa em spots de TV e trailers internacionais.

O nome que a franquia construiu, assim como o poder de seus seguidores e da nostalgia envolvida, já são fatores mais do que suficientes para tornar essa vindoura trilogia num grande sucesso. Seja mais confiante do que o Mickey, Warner!

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Carlos Dalla Corte é Potterhead há mais de década, participante esporádico do Pottercast e criador do blog Nerd Delírios da Madrugada.

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