23.6.15

De J.K. Rowling: Sobre a história de Válter e Petúnia

Como anunciamos hoje (23) mais cedo, o Pottermore liberou o sétimo livro (Harry Potter e as Relíquias da Morte) e, com isso, novos textos com conteúdo inédito da autora da série foram divulgados. 

O OPD já os traduziu e o primeiro deles que publicamos você pode ler a seguir! É sobre o casal dos Dursley, Válter e Petúnia. Indo desde ao começo do relacionamento de ambos até a despedida de Harry no final da história, J.K. Rowling nos deu um verdadeiro presente com o material a seguir. 

Válter e Petúnia

Novas informações pela J.K:

Os tios de Harry se encontraram no trabalho. Petúnia Evans, sempre amargurada pelo fato de seus pais parecerem dar mais valor para sua irmã bruxa que a ela, deixou Cokeworth para sempre para estudar em um curso de digitação de Londres. Isso a levou a trabalhar em um escritório, onde encontrou o extremamente não-mágico, teimoso e materialista Válter Dursley. Grande e sem pescoço, esse executivo júnior parecia um modelo de virilidade para a jovem Petúnia. Ele não apenas correspondeu seu interesse romântico, como era deliciosamente normal. Ele tinha um carro perfeitamente correto, e queria fazer coisas completamente normais, e quando ele já havia levado ela em uma série de encontros tediosos, durante os quais ele falava principalmente sobre ele e suas ideias previsíveis sobre o mundo, Petúnia sonhava com o momento no qual ele colocaria um anel em seu dedo.

Quando, no tempo devido, Válter Dursley a propôs em casamento, bem corretamente, de joelho na sala de estar de sua mãe, Petúnia aceitou sem pestanejar. A única mosca em sua deliciosa sopa era o medo do que seu novo noivo acharia de sua irmã, que estava no momento em seu ano final na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Válter era capaz de desprezar até mesmo pessoas que vestiam sapatos marrões com terno preto; o que ele acharia de uma jovem que passava a maior parte de seu tempo usando longos robes e lançando feitiços, Petúnia não conseguia suportar o pensamento.

Ela confessou a verdade durante um encontro marcado por lágrimas, no carro escuro de Válter enquanto eles estavam sentados olhando a loja de lanches da qual Válter tinha acabado de comprar um lanche pós cinema. Válter, como Petúnia esperava, ficou profundamente chocado; entretanto, ele contou a Petúnia solenemente que nunca colocaria a culpa nela por ter uma esquisita como irmã, e Petúnia se jogou em cima dele em tão violenta gratidão que ele deixou cair sua salsicha empanada.

O primeiro encontro entre Lily, seu namorado Tiago Potter e o casal noivado foi ruim, e a relação só piorou a partir desse ponto. Tiago ficou entretido por Válter, e fez o erro de mostrar isso. Válter tentou tratar Tiago com condescendência perguntando que carro ele dirigia. Tiago descreveu sua vassoura de corrida. Válter supôs em voz alta que bruxos tinham que viver de benefício desemprego. Tiago explicou sobre Gringotes, e a fortuna que seus pais tinha guardado lá, em ouro sólido. Válter não conseguia dizer se Tiago zombava dele ou não, e ficou nervoso. A noite terminou com Válter e Petúnia saindo ferozmente do restaurante, enquanto Lily chorava e Tiago (com um pouco de vergonha de si mesmo) prometeu resolver as coisas com Válter na próximo oportunidade.

Isso nunca aconteceu, Petúnia não queria Lily como madrinha, porque ela estava cansada de ser ofuscada; Lily ficou magoada. Válter se recursou a falar com Tiago na recepção, mas o descreveu, para ele poder ouvir, como ‘um tipo de mágico amador’. Já casada, Petúnia ficou cada vez mais como Válter. Ela amava a quadrada e organizada casa deles no número 4, Rua dos Alfeneiros. Ela estava salva, agora, de objetos que se comportavam de forma estranha, de bules de chá que soltavam melodias quando ela passava, ou de longas conversas sobre coisas que ela não entendia, com nomes como “Quadribol” e “Transfiguração”. Ela e Válter decidiram não ir ao casamento de Lily e Tiago. A última correspondência que ela recebeu de Lily e Tiago foi o anúncio do nascimento de Harry, e depois de um olhar desdenhoso, Petúnia a jogou no lixo.

O choque de encontrar o sobrinho órfão na porta um pouco mais de um ano depois foi, portanto, extremo. A carta que o acompanhava relatava como seus pais haviam sido assassinados, e pedia aos Dursley que o acolhessem. Ela explicava que, devido ao sacrifício que Lily havia feito em dar sua vida pela de seu filho, Harry estaria salvo da vingança de Lord Voldemort desde que ele pudesse chamar o lugar onde o sangue de sua mãe ainda existia de lar. Isso significa que Rua dos Alfeneiros, número 4, era seu único santuário.

Antes da chegada de Harry, Petúnia havia se tornado a mais determinada dos Dursley em suprimir qualquer conversa sobre sua irmã. Petúnia tinha alguns sentimentos latentes de culpa sobre a forma como ela havia cortado Lily (quem ela sabia, no fundo de seu coração, que sempre tinha a amado) de sua vida, mas eles se encontravam enterrados sobre ciúmes e amarguras consideráveis. Petúnia também tinha enterrado bem fundo dentro dela (e nunca confessado a Válter) que há muito tempo ela teve esperanças que também mostraria sinais de magia e seria convocada para Hogwarts.

Lendo o conteúdo chocante da carta de Dumbledore, entretanto, a qual contava como Lily havia morrido bravamente, ela sentiu que não tinha escolha a não ser acolher Harry e criá-lo ao lado de seu querido filho, Duda. Ela fez isso relutantemente, e passou o resto da infância do menino o punindo por sua própria escolha. A origem do desgosto de Tio Válter por Harry vem, em parte, assim como em Severo Snape, da semelhança de Harry ao pai que eles tanto detestavam.  

Suas mentiras para Harry sobre como os pais do menino tinha morrido foram baseadas em grande parte em seus próprios medos. Um bruxo das trevas tão poderoso como Lord Voldemort os assustou demais, e como cada assunto que eles achavam inquietante e desagradável, eles empurraram para trás de suas mentes e manteram a história de “mortos em um acidente de carro” tão consistentemente que eles quase conseguiram persuadir eles mesmo que era verdade.

Apesar de Petúnia ter crescido lado a lado com uma bruxa, ela é notavelmente ignorante sobre magia. Ela e Válter compartilham a confusa ideia de que eles irão de alguma forma conseguir retirar a magia de Harry, e em uma tentativa de jogar fora as cartas que chegam de Hogwarts no décimo primeiro aniversário de Harry, ela e Válter recorrem à velha superstição de que bruxas não podem atravessar água. Como ela havia frequentemente visto Lily pular riachos e correr para o outro lado pulando pelas pedras em sua infância, ela não deve ter ficado surpresa quando Hagrid não teve qualquer dificuldade em atravessar o mar tempestuoso para a cabana nas rochas.

Comentários da J.K. Rowling:

Válter e Petúnia foram chamados assim desde suas criações, e nunca tiveram um número de nomes experimentais, como tantos outros personagens tiveram. “Válter” é simplesmente um nome para o qual eu nunca liguei muito. “Petúnia” é o nome que eu sempre dei para personagens desagradáveis em jogos de faz de conta que eu brincava com minha irmã, Di, quando éramos bem jovens. De onde eu tirei esse nome, eu nunca tive certeza, até que recentemente um amigo meu me apresentou uma série de filmes sobre informações públicas que era exibida na televisão quando éramos jovens (ele coleciona esse tipo de coisa e coloca em seu computador para desfrutar em seu tempo livre). Um deles era um animação na qual um casal sentava em um penhasco aproveitando um picnic e assistindo um homem se afogar no mar abaixo (o ponto do filme era, não se assuste – chamar o salva-vidas). O marido chamava sua esposa de Petúnia, e eu de repente me perguntei se não foi dali que tirei esse nome improvável, porque eu nunca encontrei uma pessoa chamada Petúnia, ou, até onde eu sei, lido sobre uma. O subconsciente é uma coisa bem estranho. A Petúnia do desenho era gorda e animada, então parece que tudo que eu peguei dela foi o nome.

O sobrenome “Dursley” foi tirado da cidade epônima em Gloucestershire,  que não é muito longe de onde eu nasci. Eu nunca visitei Dursley, e eu espero que seja cheia de pessoas encantadoras. Foi a sonoridade da palavra que me atraiu, e não qualquer associação com o local.

Os Dursley são reacionários, preconceituosos, de mente fechada, ignorantes e intolerantes; a maioria das minhas coisas menos favoritas. Eu queria sugerir, no último livro, que algo decente (um amor há muito esquecido mas ardendo vagamente pela sua irmã; a compreensão de que ela poderia nunca mais ver os olhos de Lily novamente) quase saiu de Tia Petúnia quando ela disse seu adeus para Harry pela última vez, mas que ela não é capaz de admitir ou mostrar esses sentimentos há muito tempo enterrados. Apesar de alguns leitores quererem mais de Tia Petúnia durante essa despedida, eu ainda acho que a fiz se comportar de um jeito que é mais consistente com seus pensamentos e sentimentos durante os seis livros anteriores.

Ninguém nunca pareceu esperar nada melhor do Tio Válter, então eles não ficaram decepcionados.

Tradução: Gabriel Pimentel.

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